A fã

Num sábado à tarde, durante um demorado passeio numa grande livraria do shopping, caminhávamos por entre as estantes em busca de uma leitura interessante, quando, de repente, sou surpreendida por uma pergunta:

– Com licença, tu és a mãe do Toni?

Quem me perguntava era uma mulher jovem, bonita, bem vestida, que me olhava com um olhar vibrante e curioso.

– Sou sim! – respondi, pensando que eu estava prestes a conhecer a mãe de um novo coleguinha do Luca Toni. Mas eu estava enganada, definitivamente enganada. Elegantemente, a mulher continuou:

– Eu acompanho o teu blog, o Be Cool Boy! Ah, eu adoro os teus textos, tu tens muita sensibilidade ao escrever, acho lindo! Parabéns!

Enquanto ela falava, parecia que tudo em minha volta estava em câmera lenta. A sensação que eu tinha era que, em algum momento, eu acordaria de um sonho maluco ou que as câmeras de uma pegadinha surgiriam por detrás das prateleiras de livros, revelando que aquilo tudo não passava de uma brincadeira. Mas não era. Antes que ela percebesse meu devaneio, sorrio, demonstrando minha gratidão, agradeço pelo elogio e pergunto qual o nome dela.

Renata me diz que conheceu o Be Cool Boy através de compartilhamentos feitos por amigos do Facebook e que, desde então, tornou-se uma leitora assídua. Perguntei como ela havia nos reconhecido, em meio a tanta gente.

-Reconheci o Toni de longe! – e já em tom de despedida, complementa – Adorei conhecer vocês!

Assim que a moça se afasta, eu e Luca Toni nos olhamos, damos de ombros e telepaticamente nos comunicamos com o mesmo pensamento: “o que acabou de acontecer aqui?” e interrompendo a capacidade que temos de conversar com os olhos, falo em alto e bom som: “Luca toni, nós temos uma fã!”

-Mas o que é uma fã, mãe?  – ele pergunta, intrigado.

– É uma pessoa que admira outra pessoa, que no caso, somos nós. – Explico.

Sem dar muita importância para o que tinha acabado de acontecer e com um interesse maior pela fartura de livros a sua volta, ele faz um ar de desinteresse pela explicação e corre por entre as prateleiras, indo em busca de mais entretenimento. Sigo-o de longe, para não perdê-lo de vista, mas continuo pensando no ocorrido.

Com 955 seguidores, o Be Cool Boy tem atualmente gente suficiente para travar 3 Batalhas das Termópilas (aquela em que o Rei de Esparta, Leônidas, com um exército de 300 homens derrota o Imperador Xerxes, lembram?). É gente pra caramba, mas relevo a quantidade, por se tratar de um mundo virtual. É claro que vários amigos, familiares e colegas de trabalho já manifestaram suas opiniões positivas em relação ao blog, mas quando isso acontece com uma pessoa desconhecida, que te reconhece em meio a uma pequena multidão, é sinal de que a coisa está ficando séria.

Fico lembrando de um artigo que li sobre inteligência digital, publicado no site do Fórum Econômico Mundial, que a define como “a soma das habilidades sociais, emocionais e cognitivas essenciais à vida digital”. Dentre as várias habilidades envolvidas na inteligência digital, me recordo especificamente de uma: as digital footprints, ou pegadas digitais, que diz respeito ao rastro que deixamos na nossa vida virtual e suas conseqüências na vida real.

A primeira fã, de carne e osso, do Be Cool Boy me fez lembrar do alcance inimaginável que temos quando lançamos palavras na rede, como se fossem folhas ao vento. Me fez pensar que precisamos usar a tecnologia de forma sábia e responsável, preservando valores de integridade, respeito, empatia e prudência por onde passamos.

Depois de perder Luca Toni de vista por alguns segundos, o encontro sentado em uma poltrona, com um livro do “Onde está Wally” aberto. Luca Toni buscava o personagem magricelo, de óculos, touca e blusão listrado de vermelho e branco nas imagens ricamente ilustradas, assim como Renata, a fã, nos encontrou no meio de tanta gente. O convido para ir embora, já pesando nos trechos deste texto que acabo de escrever e mais ainda, na responsabilidade que tenho para com os seguidores do blog.

Obrigada Renata, por me fazer olhar para as minhas próprias pegadas e por me mostrar até onde minhas palavras podem chegar.

 

 

 

4 comentários Adicione o seu

  1. Elis Regina Gomes Alfama disse:

    Querida Raquel! Sempre me emociono com tuas palavras! A vida nos traz encontros e desencontros que muitas vezes não sabemos explicar. Ser reconhecida no meio de tantas pessoas pelo lindo trabalho que tens feito no Be Cool Boy, revela a responsabilidade e a importância das tuas ações frente aos desafios da vida. Vocês têm muitas fãs espalhadas! Muita admiração! Bjs!

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    1. becoolboy disse:

      Obrigada pelo carinho e por acompanhar o Be Cool Boy Elis! Beijo grande!

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  2. Renata disse:

    Certamente fiquei lisonjeada pelo “bonita e elegante”, mas o que me emocionou mesmo foi o “olhar vibrante e curioso”. Se você, com tua real sensibilidade diz isso (eu fui mesmo sincera), deve ser verdade. Adorei ler que nosso breve encontro te tocou e adorei mesmo conhecer vocês. Obrigada por compartilhar de forma tão bonita tua vida e teu aprendizado como mãe. Um grande abraço a vocês dois, da fã número 1 :-), Renata.

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    1. becoolboy disse:

      Oi Renata!!! Fico muito feliz que o texto tenha chegado na tua timeline (estava torcendo por isso, pois não te reconheci entre as “Renatas” que seguem o Be Cool Boy pelo Facebook). Nosso breve encontro rendeu uma bela história, que mostra como todos nós estamos conectados. Um beijo grande pra ti! Espero que a vida possa fazer a gente se encontrar novamente qualquer dia desses! Raquel e Luca Toni ☺️

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