A corrente do bem

Hoje o Be Cool Boy abre um espaço para compartilhar a história de uma família, que assim como tantas outras, está em meio ao desafio de criar um filho sob o olhar atento e inclusivo da diversidade. Quisera o destino que, no último sábado, por circunstâncias totalmente inusitadas, eu conhecesse Gilmar, pai de Marcos Gabriel, um menino de 16 anos, portador de paralisia cerebral desde os 11 meses de vida, causada por uma meningite.

Nosso encontro aconteceu num dia em que a vida insistia em me dizer alguma coisa, que eu ainda não sabia o quê. Era final de tarde e eu estava dentro de um vagão da Trensurb. Como a maioria das pessoas, eu estava em pé, com a sorte de ter uma parede para me encostar, enquanto outros equilibravam-se no meio do corredor.

Distraída com o movimento, percebo que um senhor se aproxima, entregando um pequeno pedaço de papel para tantas pessoas quantas forem possíveis. Seu ritmo acelerado sugere que ele ainda teria que voltar para resgatar o bilhete e, com alguma sorte, alguma contribuição em dinheiro. Todos aqueles que ainda não conhecem a estratégia que evita a aproximação (não fazer contato visual), recebem o papel, inclusive eu. Mas antes que ele solte o pequeno papel amassado, desvio o olhar e nego o recebimento, fazendo um gesto negativo com a mão. Ele segue seu caminho, afastando-se de mim.

Um milésimo de segundo após minha atitude, me dou conta do que acabara de fazer. Era a segunda vez, naquele mesmo dia, que eu negava o auxílio a uma pessoa. Mais cedo, enquanto caminhava em direção a um restaurante para almoçar, fui abordada por uma mulher com um bebê no colo. Ela estava sentada no meio fio da calçada e me pediu alguma coisa salgada para comer. Eu estava com pressa e sem dinheiro na bolsa e usando esta desculpa, segui meu caminho. Me senti mal por ter feito isso e passei o almoço inteiro pensando naquela mãe. Saí do restaurante determinada a pagar uma refeição para ela, mas quando cheguei ao local, ela já não estava mais. Eu havia perdido a oportunidade de fazer o bem para alguém.

No trem, a vida estava me dando uma nova oportunidade para ser gentil, para fazer o bem e eu, novamente estava negando. Ciente da minha falha, saí correndo atrás dele, cuidando não esbarrar nas pessoas que lotavam o vagão, fixando o olhar na camiseta surrada, que estampava a foto do filho, tentando não perdê-lo de vista. Quando finalmente o alcanço, peço-lhe um dos papéis que ele segura na mão e leio com atenção:

gilmar.jpg

Quando ele se aproxima para recolher o papel que está comigo, respondo:

-Eu posso te ajudar. Eu tenho um blog e posso divulgar tua campanha. Além disso, eu sou nutricionista, e posso te ajudar com a Nutrição Enteral do menino.

O olhar desanimado, cansado, já acostumado a receber tantas repostas negativas, se transforma num olhar esperançoso.

-Meu nome é Gilmar de Oliveira. Tu podes me achar no Face. Aqui tem meu telefone. Podemos conversar, eu te mostro todos os laudos e receitas do meu filho.

Minha estação se aproximava e tivemos pouco tempo para trocar algumas informações. Desconfiado que aquilo que acabara realmente rendesse alguma coisa, ele novamente me agradeceu. As portas se abriram e eu saltei do trem.

Mais tarde, em casa, ficamos por volta de 1h30 conversando por mensagens. Ele contou toda sua história e a de seu filho, Marcos Gabriel. Desde a difícil situação atual, em que a família vive basicamente com recursos de doação e do auxílio social pela doença do menino até a incrível coincidência que uniu nossos caminhos há anos atrás. Quando Marcos Gabriel tinha 5 anos, ele fez uma cirurgia e recebeu tratamento no hospital em que eu trabalhava na área Terapia Nutricional em pediatria. Esta é, provavelmente, a segunda vez que Gilmar e Marcos Gabriel passam pelo meu caminho, pois certamente o menino já esteve sob meus cuidados.

Depois da nossa longa conversa, nos despedimos com um compromisso mútuo, firmado na forma de mensagens e emoticons:

whats

Existem muitas formas de fazer o bem. Ceda o seu lugar para quem precisa; pague um café para um estranho; leia para uma criança; peça conselhos a um idoso; diga o quão especial alguém é; ajude Gilmar e seu filho Marcos Gabriel…ou simplesmente preste atenção nas oportunidades que a vida te dá para exercer o bem e espalhar gentileza.

Quer entrar nessa corrente com a gente?

P.S.: quem quiser auxiliar Gilmar e seu filho Marcos Gabriel, pode entrar em contato comigo inbox ou diretamente com Gilmar (telefone e conta disponível na foto do material de divulgação de Gilmar).

 

 

 

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